O “colesterol genético” que o exame comum não mostra: Lp(a)
Pelo Dr. Rodrigo Bomeny
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O “colesterol genético” que o exame comum não mostra: Lp(a)
Pelo Dr. Rodrigo Bomeny
Hoje vou explicar um pouco sobre um exame que ajuda na avaliação do risco de uma pessoa ter alguma doença cardiovascular.
Não era um exame solicitado de rotina até bem pouco tempo atrás, mas que tem se tornado uma importante ferramenta diagnóstica.
Lp(a): o “colesterol genético” que o exame comum não mostra — e por que vale a pena dosar
Quando falamos em risco cardiovascular, quase todo mundo pensa em LDL, pressão alta, diabetes, tabagismo… Mas existe um marcador que vem ganhando cada vez mais atenção nos últimos anos: a Lipoproteína(a), ou Lp(a). Ela não faz parte do “colesterol de rotina”, e mesmo pessoas com LDL aparentemente bom podem ter Lp(a) alta — e, com isso, um risco maior do que o esperado.
1) O que é a Lp(a)?
A Lp(a) é uma partícula muito parecida com uma LDL, mas com um “acessório” a mais: ela carrega uma proteína chamada apolipoproteína(a) [apo(a)], ligada à partícula. Esse detalhe muda bastante o comportamento dela no organismo. Cuidado para não confundir com a apoA (”a maiúsculo”).
Uma forma simples de visualizar:
LDL: como um “submarino” que transporta colesterol no sangue.
Lp(a): um “submarino LDL” com uma “cauda/gancho” (apo(a)) que pode deixá-lo mais aterogênico (mais propenso a participar da formação de placas nas artérias).
2) Por que a Lp(a) importa para o coração?
Hoje a Lp(a) é reconhecida como fator de risco independente e causal para:
- Doença cardiovascular aterosclerótica (infarto, angina, AVC isquêmico, etc.)
- Estenose aórtica calcificada (calcificação e estreitamento da válvula aórtica)
O risco acontece por uma soma de mecanismos:
- maior tendência a contribuir para aterosclerose (placas)
- efeitos pró-inflamatórios
- potencial interferência em sistemas ligados à coagulação/fibrinólise (um tema ainda em refinamento científico)
3) Por que dosar, se é genética e “não muda com dieta”?
Aqui está o ponto mais importante: a Lp(a) funciona como um “dado de base” do seu risco, porque:
Os níveis são fortemente determinados pela genética e tendem a ser relativamente estáveis ao longo da vida.
Aproximadamente 1 em cada 5 pessoas tem Lp(a) elevada.
Várias sociedades e posicionamentos passaram a recomendar ao menos uma dosagem na vida adulta, justamente para não deixar esse risco “oculto” passar despercebido.
Ou seja: dosar Lp(a) não é para “tratar a Lp(a) com dieta” (isso não funciona), e sim para ajustar o nível de atenção e intensidade na prevenção cardiovascular quando necessário.
4) Quem se beneficia mais de saber a Lp(a)?
Em geral, faz sentido para qualquer adulto ter uma dosagem ao menos uma vez, mas é especialmente útil quando há:
- infarto/AVC em idade jovem na família (“história familiar forte”)
- eventos cardiovasculares “inexplicáveis” com LDL não tão alto
- suspeita de hipercolesterolemia familiar
- estenose aórtica calcificada mais cedo do que o esperado
5) Como interpretar o resultado?
O resultado da Lp(a) pode vir em mg/dL (massa) ou nmol/L (número de partículas).
Em geral, nmol/L é preferível para padronização, e não existe uma conversão fixa confiável entre as duas unidades.
“Qual valor é alto?”
Muitas diretrizes usam como referência prática:
Alto Risco: ≥50 mg/dL (≈ ≥125 nmol/L)
E existe o conceito de muito alto (herdado), que algumas diretrizes destacam como risco ao longo da vida comparável ao de hipercolesterolemia familiar: >180 mg/dL (>390 nmol/L).
Mas o mais correto é pensar assim: Lp(a) não é “normal vs alterada” — ela é um continuum de risco. Quanto mais alta, mais ela pesa no risco total, principalmente se somada a outros fatores (LDL alto, hipertensão, tabagismo, diabetes, etc.).
6) “Deu alta. E agora?” O que fazer na prática
Primeiro : Lp(a) alta não é sentença.
Ela é um fator de risco extra. O que muda é o nível de estratégia e prevenção — não o motivo para desespero.
Na ausência de remédios “específicos” aprovados para Lp(a) (por enquanto), as recomendações mais consistentes são:
1) Reduzir com mais rigor o risco global
Seu médico pode considerar:
- metas mais ambiciosas de LDL-C / ApoB
- controle mais estrito de pressão
- se você tem diabetes, otimização do controle glicêmico
- cessação total do tabagismo (se houver)
2) Estilo de vida continua essencial — mesmo que não baixe a Lp(a)
Dieta, exercício, sono, manejo de estresse e perda de peso (quando indicada) podem não “mexer” na Lp(a), mas reduzem risco absoluto porque atuam em todo o resto.
3) Medicações: o foco é baixar LDL/ApoB (e, com isso, baixar risco)
- Estatinas: não reduzem Lp(a), mas são pilares na prevenção por reduzirem LDL e eventos.
- Ezetimiba / ácido bempedoico: ajudam a reduzir LDL; efeito sobre Lp(a) é pequeno/variável.
- Inibidores de PCSK9 (ex.: alirocumabe, evolocumabe): podem reduzir Lp(a) em torno de ~20–30%, mas o benefício clínico é principalmente por reduzir LDL — ainda assim, podem ser úteis em perfis selecionados.
4) Olhar para a família (um ponto subestimado)
Como é genética, um resultado alto pode justificar rastreio em parentes de primeiro grau, para identificar outras pessoas em risco e agir cedo.
7) Precisa repetir a Lp(a) todo ano?
Na maioria dos casos, não.
Como os níveis tendem a ser estáveis, o mais útil é: registrar a informação e usá-la estrategicamente na prevenção.
Repetir costuma fazer sentido apenas em situações específicas (por exemplo, resultados “zona cinzenta”, mudanças hormonais importantes (menopausa), inflamação/doença renal em certos contextos — sempre individualizado).
8) Precisa estar em jejum para dosar?
Em geral, a Lp(a) não exige jejum, mas alguns laboratórios pedem jejum porque costumam coletar junto com o perfil lipídico completo. O melhor é seguir a orientação do laboratório/serviço onde você vai colher.
9) E o futuro?
A perspectiva é o desenvolvimento de medicamentos que reduzem Lp(a) de forma mais expressiva.
Mensagens finais:
- Lp(a) é um fator de risco importante e frequentemente invisível no exame comum.
- Uma dosagem na vida adulta pode revelar um risco hereditário relevante.
- Se vier alta, a conduta mais inteligente hoje é: controlar com mais rigor o que é modificável (LDL/ApoB, pressão, glicemia, tabagismo, estilo de vida).
- E, provavelmente, nos próximos anos teremos terapias específicas que podem mudar as recomendações.
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Sofia
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Sou uma das contempladas com Lp(a) altíssimo 😐