Semana da mulher: Mitos e verdades sobre as pílulas anticoncepcionais
Pelo Dr. Renato Tomioka
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Pelo Dr. Renato Tomioka
Hoje, quis trazer um tema muito frequente entre as mulheres que pensam em contracepção ou tratamento de doenças que pioram com menstruação, como endometriose e adenomiose: PÍLULAS ANTICONCEPCIONAIS
Eu atendo muita mulher jovem que chega no consultório já querendo tirar a pílula “porque faz mal”. Ou que nunca tomou porque alguém disse que causa infertilidade, ou que acha que precisa “pausar pra descansar o corpo”.
Vamos separar o que é mito do que é dado real.
“Pílula causa infertilidade”
Mito.
Após parar, a fertilidade volta, geralmente em 1 a 3 ciclos. Pode haver um atraso discreto nos primeiros meses, mas não há evidência de redução permanente de fertilidade.
O que engana é que muitas mulheres param a pílula mais velhas, e aí confundem efeito da idade com efeito da pílula.
E na prática, nós sabemos que o uso de pílula pode até reduzir o risco de infertilidade indiretamente, ao reduzir o risco de endometriose e adenomiose, bloqueando as menstruações decorrentes de ovulações repetitivas.
“Precisa pausar pra dar um descanso pro corpo”
Mito.
Não existe base fisiológica pra isso. Parar e voltar repetidamente só expõe a mais efeitos colaterais de adaptação e a risco de gravidez não planejada.
“Pílula causa câncer”
Causar é diferente de estar associada. Alguns estudos mostram um pequeno aumento de risco de câncer de mama durante o uso (da ordem de 1 caso extra a cada 7.700 usuárias/ano), talvez associado a tipos de pílulas.
Por outro lado, reduz risco de câncer de ovário e de endométriox, e essa proteção dura anos após parar. O balanço, na maioria das mulheres jovens, é favorável.
“Pílula engorda”
A evidência é fraca.
Revisões sistemáticas não mostram diferença significativa de peso entre usuárias e não-usuárias. Pode haver retenção hídrica nos primeiros meses. Não é a mesma coisa que ganho de gordura.
“Toda pílula é igual”
Não.
Existem combinações diferentes de estrogênio e progestagenios, com perfis distintos de efeito colateral. Acne, libido, humor, risco trombótico, tudo varia conforme a formulação. Por isso individualizar importa.
O que é real e merece atenção:
Risco trombótico existe, é pequeno, mas é reaal, especialmente em fumantes, obesas, com histórico de trombose ou trombofilias. Isso precisa ser avaliado (não significa colher exames) antes de prescrever.
Efeito no humor: algumas mulheres, especialmente adolescentes, podem ter piora de humor com certas formulações. Isso não é frescura. Se acontecer, trocar.
Pílula não é obrigação. Existem alternativas (DIU, implante, anel, métodos de barreira). A melhor contracepção é a que você usa direito, tolera bem e faz sentido pra sua vida.
Pílula não é vilã. É ferramenta boa se usada com indicação, com acompanhamento e com liberdade pra trocar se não estiver funcionando pra você.
Com carinho e evidência,
Renato
Referências
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ACOG Committee Opinion No. 540. Risk of venous thromboembolism among users of drospirenone-containing oral contraceptive pills. Obstet Gynecol. 2012
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Sofia
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