A longevidade dos jogadores da Copa do Mundo de 2026
Pela Dra. Gabriela Prado
Olá futuros centenários! 💙
Se você assinou o plano anual e ainda não está no nosso grupo de WhatsApp me manda uma mensagem aqui!
Vamos lá?
Tempo de leitura: ~ 2 minutos e 9 segundos
💡Os especialistas compartilharam essa semana
🏋️♀️ Rafa Lund - O papel do exercício no tratamento da obesidade e na saúde cardiometabólica
Quer ter acesso ao grupo e à todos esses conteúdos?
A longevidade dos jogadores da Copa do Mundo de 2026
Pela Dra. Gabriela Prado
Aproveitando que nossa seleção tá deixando a gente sonhar 🇧🇷🇧🇷🇧🇷, vou trazer um assunto aqui com alguns dados bem interessantes sobre a longevidade dos jogadores dentro de campo nesta Copa do Mundo. Essa é a Copa mais velha da história!
São 8 jogadores com 40 anos ou mais, mais do que em todas as Copas anteriores somadas. E não é um ponto fora da curva. Os atletas com 35 anos ou mais saltaram de 7, em 1990, para 41 em 2022, e agora 72 nesta Copa. Num esporte que sempre foi impiedoso com o corpo, o futebol de elite está aprendendo a durar.
Mas o que será que mudou?
A resposta fácil coloca tudo na conta da genética e talento. Existe, claro. Mas o salto é rápido demais pra ser genética, porque a genética de uma população não muda em duas gerações. O que mudou foi a ciência do esporte aprendendo a cuidar do corpo que trabalha no limite. Monitoramento de carga, recuperação levada tão a sério quanto o treino, nutrição individualizada, diagnóstico precoce.
Pra ter ideia da distância percorrida, basta lembrar de uma geração atrás. O Ronaldo Fenômeno foi o ápice do corpo de potência, veloz e explosivo, e foi justamente esse corpo que cobrou a conta cedo: rupturas sucessivas de tendão, aposentadoria aos 34. “Perdi para o meu corpo”, ele disse na despedida. A medicina esportiva da época não sabia proteger aquele tipo de atleta. Hoje talvez soubesse.
Alguns pontos fisiológicos do futebol atual ajudam a entender por que a *carga* virou o ponto central. Os jogadores de hoje não correm mais distância que os de antes. O volume por jogo foi de 8,7 km nos anos 70 ao pico de 11,4 km nos anos 90, e caiu para 10,6 km em 2022. O que aumentou foi a intensidade. O jogo virou uma sucessão de sprints repetidos com pouca pausa entre eles, e é nesse esforço que o corpo cede. Um estudo da UEFA de 2023 mostrou que 6 em cada 10 lesões de isquiotibiais acontecem em sprint, quase sempre quando falta recuperação acumulada. Mais intensidade, menos margem de erro.
E aí chega a parte que interessa pra quem não disputa Copa nenhuma (nós, meros mortais): a lógica é sempre a mesma. O que mantém um corpo funcional por mais tempo é um conjunto de fatores que se compõem: capacidade aeróbia, força muscular, qualidade da recuperação, sono, e sim, uma parcela de genética que não tem muito como controlar. Não existe um único número ou fator mágico que resuma isso tudo.
Mas se eu tivesse que destacar um marcador que sintetiza bem o estado geral do corpo, seria a capacidade do coração e do pulmão de aguentar o esforço. O VO2 máximo. Não porque ele explique tudo sozinho, mas porque é dos melhores espelhos que temos de como o organismo inteiro está funcionando.
E a evidência aqui é forte. A coorte de Mandsager (JAMA Network Open, 2018), com mais de 122 mil pessoas, mostrou que quanto maior a aptidão cardiorrespiratória, menor a mortalidade por qualquer causa, e sem teto de benefício. Mesmo entre os mais condicionados, não apareceu um ponto em que treinar mais parasse de proteger. Kokkinos (JACC, 2022) chegou na mesma direção: cada MET a mais de condicionamento se associou a 13 a 15% menos risco de morte, em qualquer idade.
São dados observacionais, com as limitações de sempre, causalidade reversa e confundidores que nunca somem por completo. Mas a consistência entre as coortes, o tamanho do efeito e a plausibilidade fisiológica fazem do VO2máx um dos melhores marcadores de prognóstico que temos hoje.
E aqui vem o ponto que eu acho mais importante de toda essa conversa. Quando a gente olha pra esses atletas, é tentador querer espelhar o corpo deles. Mas o corpo magro e longilíneo do jogador de elite é resultado do que ele faz, é adaptação específica ao esporte dele. Não é uma meta estética pra população geral, e perseguir isso é mirar na coisa errada.
O que vale copiar não é o corpo, é a rotina. A disciplina, a regularidade, o cuidado com a base aeróbia, o trabalho de força, o respeito à recuperação. É isso que constrói longevidade, e isso sim cabe na vida de qualquer um, independente do biotipo que você herdou.
No fundo, a lição do futebol moderno é meio contraintuitiva. Durar não é viver no limite o tempo todo, é saber administrar esse limite pra não quebrar cedo demais. E isso vale pro jogador de 40 anos ainda em campo, e vale pra gente também!
Entre no grupo
Se você assinou o plano anual e ainda não está no nosso grupo de WhatsApp me manda uma mensagem aqui!
Vida longa! 💯
Sofia
Em busca de futuros centenários
Se essa newsletter fez sentido pra você, provavelmente fará para outras pessoas também.
Compartilhe com alguém que você gostaria de ver vivendo bem, hoje e aos 100 anos.
Manda essa news para elas :)



